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Tecla Sapiens:
Se tem uma coisa que todo mundo odeia é crítico de cinema. Como jornalista especializado na sétima arte, sempre tentei fazer diferente. Nos jornais era assim, aqui não vai ser diferente. (CF)
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Luciano Marques
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Quarta-feira, Março 23, 2005
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Atuação de placa
Juro que, apesar de ser brasileiro, dificilmente vejo uma atuação tupiniquim que me chame a verdadeira atenção. Assistindo ao filme O Casamento de Romeu e Julieta, de Bruno Barreto, eis que levo um susto. Luis Gustavo, que interpreta no longa o advogado palmeirense Alfredo Baragatti, me apronta uma das maiores atuações que já vi no cinema. Não, não estou exagerando. Ele foi perfeito em tudo. Se algum brasileiro deveria estar com sua bunda sentada nas poltronas vermelhas do Oscar, ele seria o cara.
O texto é maravilhoso (baseado em um conto de Mário Prata), mas ele o deixa em um nível que beira o genial. Se você for assistir, preste atenção nos palavrões. Se eles são colocados no ponto certo, no momento (timing) correto, o diálogo fica divino. É isso que o Luis Gustavo faz, entre outras genilalidades. O cara é bom, muito mais que eu imaginava, e hoje, na minha opinião, ganhou um espaço entre as maiores atuações da sétima arte que esses olhos aqui já tiveram o prazer de assistir.
escrito na porta por Luciano Marques
, quando às 2:41 AM assumiu o trono
Segunda-feira, Março 14, 2005
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Nem começo nem fim
Existem alguns tipos de filmes que não foram feitos para passar em circuito comercial. Por mais que tentem, por mais que os atores sejam conhecidos, não adianta, alguns longas foram feitos para poucos. Um grande exemplo do passado recente é Peixe Grande, vendido na mídia como um puta lançamento comercial, mas que foi feito com bases filosóficas e aberturas para interpretação, o filme deixou diversos expectadores "normais" na mão. Muitos saíram frustrados com um filme cabeça demais para o gosto deles. E o mesmo cabe para um filme que se encontra em cartaz: O Lenhador, protagonizado por Kevin Bacon.
O Lenhador é o típico filme de drama que não tem um começo. O expectador é jogado na trama de tal jeito que tem a sensação que chegou atrasado na seção. O que normalmente acontece aos "normais" é que o início subentendido não é captado. É como o sujeito oculto no português, regrinha básica lá do passado, nos idos do guaraná de rolha.
Alguns que estão lendo este devem estar se perguntando o que é um expectador "normal". Bom, Nelson Rodrigues já falava bastante de um certo aglomerado de seres vivos que ganhou o singelo nome de massa. A massa é um produto único e simples, fruto de uma mistura cheia de componentes básicos. Portanto, o expectador da massa é um expectador normal (longe de ser excepcional), um indivíduo que vai ao cinema esperando uma filme mastigadinho, com roteiro básico - com início, meio e fim. Já ouvi muito uma frase de amigos que são expectadores normais: "Eu não quero ir ao cinema para pensar". Pois é isso que acontece. Eles vão por puro entretenimento, para assistir uma história simples e divertida. Se o roteiro descamba para o filosófico, o moral, o hipotético, ele acha o longa ruim.
Mas, voltando à vaca fria. O Lenhador tem um início subentendido, o drama se arrasta em elipse e, por fim, chega a uma conclusão. Detalhe, a conclusão não é o fim da história, por isso, quando as letrinhas do Cast começam a subir, as pessoas perguntam: "mas já? Acaba assim?". Então, esse é um filme que eu chamo de "sem começo e fim". O começo você subentende e o fim fica por conta de seus questionamentos futuros, de sua maquinação sobre o assunto. É o tipo de produção que meu amigo odeia, o que te faz pensar, o que requer algum esforço.
É por isso que filmes como O Lenhador, Peixe Grande, Cidade dos Sonhos, Os Doze Macacos, etc, não podem ser jogados nos traillers como filmes básicos e comerciais. Mas, eles têm que vender... fazer o quê?
escrito na porta por Luciano Marques
, quando às 11:31 PM assumiu o trono
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